10/09/2019 às 15h36min - Atualizada em 10/09/2019 às 15h36min

Coluna: “Eu vim pra confundir e não para explicar”

Árbitro de vídeo é a versão eletrônica do Chacrinha

Sergio du Bocage, apresentador do programa No Mundo da Bola.
Agência Brasil

Abelardo Barbosa, apresentador de programas de auditório por mais de 30 anos na televisão brasileira, criou uma série de frases que marcaram época. O Chacrinha, como era conhecido, dizia nos programas que comandava, que estava ali “para confundir, e não para explicar”.

Ele, ao menos, era sincero. E por isso fez sucesso. Mas o árbitro de vídeo, que chegou para ajudar – ao menos foi o que disseram, quando o apresentaram -, está complicando, e muito, o futebol brasileiro. As discussões que deviam terminar após os jogos ainda se estendem por toda a semana seguinte e não foram poucos os casos levados até os tribunais esportivos.

O curioso é que não vemos isso em outros países onde o VAR é utilizado. No Brasil, o pessoal da arbitragem anda caprichando nos erros, e haja explicação baseada em protocolos, que parecem mudar a cada rodada. É óbvio que houve acertos e correções em jogadas irregulares, mas isso, como se diz, é o papel dele. O que não dá, e isso é inaceitável, é gerar um erro a partir da intervenção indevida. A falha passa a ser oficial, com o aval dos árbitros que estão fora de campo se baseando em vídeos e vários replays em câmera lenta.

Lançaram a ferramenta, mas não treinaram devidamente os profissionais. Estamos trocando o pneu com o carro andando. E como os árbitros que atuam no Brasil são obrigados a participarem de campeonatos diferentes, ora com VAR, ora sem ele, não é surpresa que se confundam. O auxiliar, em alguns jogos, tem de deixar a jogada correr; em outros, deve marcar a infração imediatamente. É difícil virar a chave a cada rodada.

Repito o que sempre disse – não gosto dessa tecnologia e, para mim, o chip na bola definindo se ela entrou ou não no gol já seria suficiente. As discussões e erros fazem parte do futebol, desde a criação dele. No vôlei e no tênis, que serviram de parâmetros para o futebol, não existe interpretação. Quando acionado, o VAR diz se houve ou não determinada infração e ponto final.

Em televisão, nada se cria, tudo se copia. Mas no esporte está bem claro que a “buzina do Chacrinha” toca diferente. O árbitro de vídeo foi inserido no Brasileirão como o bacalhau era jogado por ele ao público. Um “presentinho”, como dizia. Da minha parte, sigo reclamando contra o VAR. Sou um modesto Velho Guerreiro que admira o futebol jogado e decidido apenas dentro de campo.

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